Na próxima terça-feira (08/09), a capital maranhense, São Luís, completará 414 anos e, junto a ela, o Sistema Integrado de Transporte (SIT) atingirá a marca de três décadas em operação, sendo o principal meio de deslocamento de milhares de ludovicenses e residentes na Grande Ilha de Upaon-Açu desde a sua implantação.
O Sistema Integrado de Transporte de São Luís começou a ser desenvolvido muito antes de 1996 e da inauguração do Terminal de Integração da Praia Grande, que marcou o início do modelo que conhecemos até os dias de hoje. A necessidade de transporte para regiões mais distantes do centro da capital, que na época concentrava grande parte das atividades econômicas, como comércio, bancos, escolas e universidades, fazia com que a população residente em bairros mais afastados necessitasse de alternativas para se locomover, tendo em vista que o sistema de bondes operava em poucos bairros e já dava sinais de saturação diante do avanço da urbanização da Grande Ilha.
Com o fim do sistema de bondes na capital maranhense, na segunda metade da década de 1960, e, posteriormente, com a construção da Ponte José Sarney (São Francisco), que impulsionaria o desenvolvimento do atual centro financeiro ludovicense e de uma das regiões mais valorizadas da cidade, a necessidade de um sistema de transporte de maior capacidade se acentuou rapidamente. Com isso, as linhas de ônibus, que na época ainda eram poucas, passaram gradativamente a assumir o protagonismo nos deslocamentos da população ludovicense.
A partir da década de 1990, durante a gestão municipal de Jackson Lago, tiveram início importantes modificações no transporte coletivo de São Luís. Muito antes da implantação do primeiro terminal integrado, a capital foi dividida em áreas operacionais, identificadas por códigos de 0 a 9, e as viações, que atuavam em caráter de permissão do poder público, passaram a operar diversas linhas com destino ao centro da cidade. Durante esse período, houve o planejamento para a implantação de um sistema tronco-alimentado nos moldes do aplicado décadas antes em Curitiba (PR). O projeto, no entanto, não foi bem-sucedido e sequer chegou a ser testado antes da implantação dos terminais.
Em 8 de setembro de 1996, o Terminal de Integração da Praia Grande, localizado no centro da cidade, às margens do Rio Bacanga, dava início a uma nova era no transporte coletivo de passageiros de São Luís. Com plataformas de embarque e desembarque, a estação chegava com o propósito de otimizar a operação do sistema e proporcionar economia aos usuários por meio da integração física. Na época, bairros como Vila Nova, Sol e Mar, Cohab, entre outros, tiveram linhas beneficiadas que passaram a acessar a estação.
Ao longo da segunda metade da década de 1990, as discussões sobre a realização de uma licitação para o transporte coletivo foram constantemente mencionadas nos registros históricos. Entretanto, a falta de consenso entre empresários e poder público tornou ainda mais difícil o avanço desse processo.
Em 2003, já sob a gestão do então prefeito Tadeu Palácio, o SIT - São Luís começou a se expandir com a implantação de novos terminais de integração: São Cristóvão, Distrito Industrial e Cohab, além do Terminal Cohama, entregue posteriormente, em 2006. Juntos ao Terminal Praia Grande, os equipamentos passaram a formar uma rede que, em princípio, deveria proporcionar maior eficiência ao sistema e atender à população de forma ágil e econômica.
Além dos novos terminais, a cidade foi dividida em seis bacias operacionais, que contavam com ônibus caracterizados de acordo com as regiões atendidas e popularizaram a padronização conhecida pelos tradicionais "barquinhos". As áreas de operação eram identificadas da seguinte forma: Praia Grande (laranja e bege), São Cristóvão (amarelo), Distrito Industrial (azul-claro), Cohab/Cohatrac (verde), Cohama/Vinhais (vermelho) e Rio Anil (branco). Algumas exceções também ocorreram, como a utilização do azul-escuro nas linhas não integradas da região Itaqui-Bacanga e, posteriormente, do cinza nas linhas do Litoral, na Raposa, integradas ao Terminal Cohab.
No fim da década de 2000, durante a gestão do então prefeito João Castelo (1937-2016), ocorreu a integração das linhas metropolitanas de Raposa, Paço do Lumiar e São José de Ribamar aos terminais Cohama, Cohab e São Cristóvão, permitindo que moradores dos municípios da Grande Ilha se deslocassem por diferentes regiões pagando apenas uma passagem por sentido. A proposta, embora relevante no contexto social da Grande Ilha naquele período, também contribuiu para acentuar uma crise que já vinha sendo construída a partir de decisões do poder público, como o congelamento da tarifa e a ausência de mecanismos de apoio econômico às empresas.
Em 2016, após duas décadas de operação, o Sistema Integrado de Transporte de São Luís passou por sua primeira licitação, realizada durante a gestão de Edivaldo Holanda Júnior. O processo marcou também o desmembramento das operações urbanas e semiurbanas, estas últimas passando a ser gerenciadas pelo Governo do Estado por meio da Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB).
A licitação trouxe mudanças importantes para o sistema e reorganizou o modelo operacional que vinha sendo desenvolvido desde 1996. O projeto, embora ainda apresentasse espaço para otimizações visando alcançar maior eficiência, também evidenciou posteriormente como a ausência, durante anos, de uma relação contratual mais estruturada entre as empresas de ônibus e a Prefeitura contribuiu para problemas que afetaram operadores, poder público e, principalmente, os usuários. Esse processo e as transformações promovidas pela licitação de 2016 serão temas da próxima matéria do especial SIT 30 Anos.
Fonte: Transporte em Foco
Imagens: Acervo Viação Primor, Acervo Jornal O Imparcial, Rômulo Abreu - Transporte em Foco, Leandro Castro - Ônibus Brasil e Caio Induscar.
Pesquisa das imagens: Rômulo Abreu, João Mannoel.










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