SIT São Luís

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Após três décadas de operação, o Sistema Integrado de Transporte (SIT) de São Luís (MA) apresenta um contraste que tem passado despercebido pelos órgãos gestores, operadoras e também pelo próprio usuário: a necessidade de planejamento para as próximas décadas de um modal que apoiou o desenvolvimento da Grande Ilha ao longo de sua trajetória.
O transporte coletivo ludovicense enfrenta atualmente um declínio operacional que pode ser subdividido em três grupos, sendo eles: custo de operação; ausência de investimento e contrapartida do poder público; e perda da confiabilidade do passageiro. A conexão entre esses fatores afeta diariamente a operação do modal, isto porque a dificuldade de equilíbrio dos custos, atrelada à falta de injeção de capital, torna difícil o cumprimento de contratos e a garantia da oferta do serviço aos usuários, que, por outro lado, passam a buscar alternativas de deslocamento.
Como mencionado ao longo da série SIT 30 Anos, o transporte coletivo convive desde o seu início com problemas que vão além da organização interna das empresas de ônibus e do poder público, envolvendo também questões de estrutura física e de planejamento operacional. Como principais pontos dessas temáticas, podem ser compreendidos os seguintes fatores: alta sobreposição de itinerários, oferta desigual de cobertura, frota operante cada vez menor, ineficiência do atendimento, entre outros. Diante desses aspectos, o Transporte em Foco desenvolveu a tabela abaixo, que apresenta uma breve sugestão do que poderia ser feito em um processo de reconstrução e otimização do sistema.
5W2H Plano de Reconstrução e Otimização do SIT
O quê?
(What)
a) Reestruturação operacional
b) Renovação de frota
c) Implantação do PEMOF
d) Revisão da rede
Por quê?
(Why)
a) Baixa confiabilidade
b) Frota reduzida
c) Sobreposição de linhas
d) Custos elevados 
e) Cobertura desigual
Onde?
(Where)
a) Linhas
b) Terminais
c) Corredores
d) Garagens
e) Áreas de expansão urbana
Quando?
(When)
a) Curto prazo: diagnóstico
b) Médio prazo: reestruturação
c) Longo prazo: expansão
Quem?
(Who)
a) Prefeitura
b) SMTT/MOB 
c) Consórcios e operadoras
d) Usuários
Como?
(How)
a) PEMOF
b) Revisão de itinerários
c) Renovação contínua
d) BI, GPS e KPIs
e) Prioridade ao ônibus
f) Fiscalização
Quanto?
(How much)
a) Orçamento público
b) Investimento privado
c) Financiamentos
d) Subsídios
e) Estudos de viabilidade

PEMOF: Plano Estratégico de Manutenção e Otimização da Frota.

A proposta pode ser baseada em duas etapas centrais, sendo a primeira voltada à reestruturação operacional e à revisão contratual, que podem ser realizadas a partir de relatórios de diagnóstico e viabilidade operacional, apoiados pela integração tecnológica de dados com o auxílio de ferramentas de gestão, como o Power BI. Além disso, propõe-se instituir um ciclo de pesquisas de satisfação dos usuários quanto ao serviço, definindo métricas de qualidade e eficiência para que possam ser analisadas periodicamente e possibilitem ajustes estratégicos, além da adoção de diretrizes técnicas de transparência e controle.
A segunda etapa passa, então, a trabalhar a renovação da frota, com a verificação prévia do custo previsto e da quantidade de veículos que devem ser substituídos, além da adoção de um Plano Estratégico de Manutenção e Otimização da Frota (PEMOF), definindo períodos de manutenção corretiva, preventiva e preditiva. Esta segunda fase deve ser acompanhada por meio de fiscalização, dados internos de custos e benefícios, metas e prazos previamente acordados em contrato. Em resumo, o SIT - São Luís demanda do poder público municipal e estadual uma atenção que vai além do fator “política pública”, atendendo às necessidades dos operadores e garantindo a segurança da oferta aos usuários. Torna-se necessário, portanto, um importante questionamento: o que esperar do transporte ludovicense nas próximas décadas?.
Fonte: Transporte em Foco
Imagens: João Mannoel - Transporte em Foco.

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