Há cinco décadas, a capital do Paraná, Curitiba, tem sido reverenciada como uma cidade modelo em nível mundial quando o tema é a gestão e operação do transporte coletivo público. O município brasileiro teve uma enorme contribuição para a mobilidade urbana ao consolidar o conceito de Trânsito Rápido de Ônibus (BRT) em meados da década de 1970.
Hoje, o Transporte em Foco apresenta, em um formato inédito, o impacto e a evolução desse conceito que nasceu no Brasil e foi adotado por diversas capitais do país e do mundo.
O início: das lotações à implantação do sistema Expresso.
A capital paranaense nem sempre contou com um sistema estruturado como o que conhecemos hoje. Até meados dos anos 1950, o transporte de passageiros era realizado por veículos de lotação, que atendiam apenas percursos com alto fluxo de pessoas, gerando maior retorno financeiro para os donos das lotações. Por falta de fiscalização, havia pouca oferta de linhas, horários irregulares e constante superlotação. Após pressão popular, a prefeitura de Curitiba, sob a gestão do então prefeito Ney Braga, reorganizou o sistema, definindo que apenas empresas poderiam operar o transporte local e dividindo a cidade em setores.
Em 1966, Curitiba adotou um novo plano diretor, modificado em 1972 pela Lei nº 4.199/72, que resultou, dentre outros projetos, no Sistema Trinário de Transporte. Esse sistema utilizava três ruas paralelas, divididas em: uma pista central exclusiva para ônibus, pistas laterais com vias lentas próximas ao comércio e vias rápidas ao lado das faixas exclusivas para ônibus nos sentidos bairro-centro e centro-bairro que também serviam para os automóveis. O projeto visava reduzir o fluxo rodoviário crescente, à medida que o município se expandia em população e perímetro urbano.
Em 22 de setembro de 1974, após anos de discussão entre a prefeitura e as empresas operadoras, foram inaugurados os primeiros 20 ônibus do sistema Expresso. Esse modelo de transporte possuía características específicas, como o tráfego exclusivo pelas faixas centrais do Trinário, também conhecidas como canaletas, carrocerias diferenciadas da frota comum e regulamentações rigorosas, como o cumprimento efetivo dos horários. Nessa primeira etapa, as regiões norte e sul de Curitiba foram contempladas.
A chegada dos primeiros biarticulados.
Em 1992, após a implantação das estações-tubo, que contribuíram para a identidade visual do transporte curitibano, e das linhas diretas conhecidas como ligeirinhos, o sistema de ônibus de Curitiba consolidou oficialmente a proposta do BRT. Nesse contexto, começaram a operar os primeiros ônibus biarticulados do Brasil.
Ao todo, 33 ônibus biarticulados foram colocados em operação. Avançados para a época, 15 veículos possuíam carrocerias Ciferal Mega Bus, enquanto 18 eram equipados com carrocerias Marcopolo Torino GV Longsize. Todos estavam acoplados ao chassi Volvo B58, com portas em nível para as plataformas tubo e capacidade para transportar até 220 passageiros. Inicialmente, esses veículos eram padronizados na cor cinza.
Em 1995, com a chegada de mais 66 biarticulados ao sistema curitibano, foi adotado um novo layout na cor vermelha. Consequentemente, os 33 veículos anteriores foram repintados. A mudança de layout teve como principal motivação garantir maior segurança aos pedestres, tornando os ônibus mais visíveis no trânsito urbano.
O impacto ambiental do BRT: de veículos a diesel para veículos 100% elétrico.
O conceito de BRT surgiu como uma solução para reduzir o fluxo rodoviário em Curitiba. Com o avanço da tecnologia, o crescimento populacional e a necessidade de preservação ambiental, esse modelo de transporte tornou-se um importante aliado do planejamento urbano, reduzindo significativamente as emissões de poluentes e promovendo o transporte coletivo como uma alternativa eficiente aos veículos individuais.
Atualmente, Curitiba se destaca novamente, tanto nacional quanto internacionalmente, ao debater a adoção de veículos 100% elétricos em sua frota BRT. Alinhada às medidas para conter o aquecimento global e preservar o meio ambiente, a cidade aposta na transição para uma frota mais sustentável e menos poluente. Apesar de ocorrer de forma gradual, essa transição vem ganhando força. Recentemente, a Volvo apresentou o chassi BZR nas versões biarticulado e ligeirinho, modelos elétricos que prometem transformar as ruas de Curitiba nos próximos anos.
Além do debate sobre o uso de ônibus elétricos nas linhas que utilizam canaletas exclusivas, a Urbanização de Curitiba (URBS), responsável pelo gerenciamento da Rede Integrada de Transporte (RIT), já conta com sete ônibus elétricos em operação. Destes, seis operam em linhas interbairros, enquanto um atende linhas intermodais que podem contar percursos do tipo alimentador, convencional ou troncal.
Conclusão.
Curitiba continua a reafirmar seu papel pioneiro no cenário do transporte público. Desde a concepção do sistema BRT até as atuais discussões sobre sustentabilidade, a capital paranaense mantém sua posição como referência global. O compromisso com a inovação e a preservação ambiental não apenas fortalece a qualidade do transporte público, mas também inspira outras cidades a seguirem o mesmo caminho, provando que soluções eficazes podem nascer de iniciativas locais e impactar o mundo.
Fonte: Transporte em Foco
Colaboração: Osvaldo Born/Maike William








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