Embora sob um novo modelo operacional desde a licitação de 2016, o Sistema Integrado de Transporte de São Luís (SIT) ainda convive com desafios consequentes de suas duas primeiras décadas de operação e novos que surgiram ao decorrer dos últimos 10 anos, sobretudo após a pandemia mundial de COVID-19.
Ao longo de sua história, o SIT São Luís sempre enfrentou desafios operacionais para as empresas de ônibus, para o usuário e, principalmente, para o poder público, que deveria encontrar o equilíbrio entre as necessidades da população e a seguridade econômica das empresas, bem como os interesses dos empresários, o que, infelizmente, nem sempre ocorreu.
Durante a fase inicial de sua implantação, o sistema teve alterações em sua proposta original, que previa os terminais integrados e um conjunto tronco-alimentado, no qual linhas sairiam dos bairros até um dos terminais e, de lá, partiriam linhas troncais e circulares com destino ao Centro e regiões estratégicas da capital maranhense, o que não aconteceu em sua totalidade.
O sistema atual e sua configuração
A atual configuração do sistema de transporte de São Luís conta com 167 linhas de ônibus, agrupadas em quatro tipos de serviço, sendo eles: alimentador, com ligações entre bairro e terminal; troncal, com ligações entre bairro e Centro, integrando em um ou mais terminais; circular, com ligações entre bairro e Centro, realizando a ida em um sentido e a volta em outro, com integração em um ou mais terminais; e não integradas, com ligações entre bairro e Centro, sem integração em terminais ou por meio do Bilhete Único. O custo tarifário é de R$ 4,20 para os três primeiros grupos e R$ 3,70 para as linhas remanescentes.
Desde abril, a operação das 167 rotas está sendo realizada pelos consórcios Central e Upaon-Açu, além da Viação Primor, em decorrência da falência do Consórcio ViaSL e, consequentemente, da Expresso Rei de França, que operavam linhas agrupadas no Lote 2. A tabela a seguir mostra a divisão atual das linhas em operação, além das porcentagens de composição operacional dentro de cada consórcio ou empresa e sua representação no sistema em geral.
| OPERADOR | ALIM. | TRONCAL | CIRC. | NÃO INT. | TOTAL |
|---|---|---|---|---|---|
CENTRAL 47,31% |
25 31,65% |
40 50,63% |
2 2,53% |
12 15,19% |
79 100% |
VIASL 0,00% |
0 0% |
0 0% |
0 0% |
0 0% |
0 0% |
UPAON-AÇU 28,74% |
23 47,92% |
24 50,00% |
1 2,08% |
0 0% |
48 100% |
PRIMOR 23,95% |
13 32,50% |
27 67,50% |
0 0% |
0 0% |
40 100% |
| TOTAL | 61 | 91 | 3 | 12 | 167 |
Percentual abaixo do operador: participação no sistema.
Percentual abaixo da quantidade: participação do tipo de linha dentro do respectivo lote.
Percentual abaixo da quantidade: participação do tipo de linha dentro do respectivo lote.
A frota em operação atual do sistema urbano de São Luís conta com 531 ônibus, formada majoritariamente por veículos convencionais. A média por concessionária é de 177 ônibus e, por linha, de apenas 3,18 veículos. Abaixo, você confere uma tabela com os seguintes critérios apurados: frota em operação por serviço e total do consórcio ou empresa, representação operacional em porcentagem dentro do sistema, além das médias por consórcio e por linha e do déficit da frota no comparativo entre 2016 e 2026.
| OPERADOR | ALIM. | TRONCAL | CIRC. | NÃO INT. | TOTAL |
|---|---|---|---|---|---|
| CENTRAL 32,58% | 38 21,97% | 106 61,27% | 6 3,47% | 23 13,29% | 173 100% |
| VIASL 0% | 0 0% | 0 0% | 0 0% | 0 0% | 0 0% |
| UPAON-AÇU 36,53% | 23 11,86% | 162 83,51% | 9 4,64% | 0 0% | 194 100% |
| PRIMOR 30,89% | 22 13,41% | 142 86,59% | 0 0% | 0 0% | 164 100% |
| TOTAL | 83 | 410 | 15 | 23 | 531 |
| FROTA OPERANTE TOTAL | 531 |
| MÉDIA POR CONCESSIONÁRIA | 177 |
| MÉDIA POR LINHA | 3,18 |
| DÉFICIT DE FROTA (2016/2026) | 37,31% |
% sob o operador: participação na frota total.
% sob a quantidade: participação dentro do lote.
Vale lembrar que os números acima não consideram a frota reversa e também do sistema metropolitano. No entanto, o Transporte em Foco já vem realizando um levantamento sobre a operação da Grande Ilha, para que seja possível aferir os dados e divulgar, em uma matéria futura, informações sobre a operação atual, além de realizar o agrupamento dos dados para verificar o cenário atual do transporte coletivo da Grande Ilha.
Desafios: novos e antigos
O Sistema Integrado de Transporte de São Luís sofre, desde seu projeto original, com desafios que vão além das questões estruturais, mas que afetam diretamente a operação, as empresas e, principalmente, o usuário que diariamente depende do serviço.
Atualmente, o valor da tarifa varia entre R$ 3,70 para as linhas não integradas e R$ 4,20 para as linhas integradas, valores vigentes desde 2023 e que perduram até hoje, mesmo com alterações em índices como inflação, impostos e custos operacionais, além da migração de passageiros do transporte coletivo para o transporte particular por aplicativo. A tarifa do transporte coletivo de São Luís sempre foi um tema crítico quando debatido pelo poder público, pois, embora seu valor aumentasse, a melhora na qualidade do serviço nem sempre era percebida pelo usuário.
Ao longo de três décadas de operação, o sistema de transporte de São Luís vivenciou ao menos cinco períodos de congelamento tarifário, registrados entre os anos de 2006 e 2010, 2011 e 2014, 2016 e 2018, 2020 e 2023 e, mais recentemente, de 2024 até os dias atuais. Diante desse aspecto relacionado ao congelamento da tarifa, o modelo de subsídio do SIT São Luís pode ser compreendido conforme a tabela abaixo.
| Tarifa | Usuário | Subsídio | Déficit |
|---|---|---|---|
| Integrada | R$ 4,20 75,68% |
R$ 1,35 24,32% |
R$ 0,00 0% |
| Não integrada | R$ 3,70 66,67% |
R$ 1,35 24,32% |
R$ 0,50 9,01% |
Tarifa técnica: R$ 5,55. Percentuais calculados sobre o valor da tarifa técnica.
Tarifa técnica: valor necessário para remunerar a operaçã
Conforme observado, existe um déficit de R$ 0,50, equivalente a 9,01%, entre a tarifa técnica de R$ 5,55 e o valor resultante da soma da tarifa não integrada de R$ 3,70 com o subsídio municipal de R$ 1,35. Além disso, é importante ressaltar que o sistema de transporte trabalha com esses valores há dois anos e que, diante das mudanças econômicas causadas pela inflação, reajustes de impostos e custos operacionais, além de questões geopolíticas que influenciam o preço do petróleo, reforça-se a necessidade de discutir o reajuste desses valores ou uma possível modificação do modelo remuneratório, passando do pagamento por passageiro transportado para a remuneração por quilômetro rodado.
Outro fator de destaque quando falamos do transporte coletivo de São Luís é a manutenção da frota e da estrutura dos terminais. Desde seu início, o sistema convive com problemas relacionados à conservação dos ônibus, com registros de falhas mecânicas, quebras e até mesmo acidentes. Ao longo dos últimos anos, as empresas passaram a investir em melhorias no que diz respeito ao planejamento da manutenção e conservação dos coletivos. No entanto, é evidente que ainda existem lacunas que precisam ser solucionadas para garantir ao usuário conforto, segurança, acessibilidade e agilidade durante o deslocamento. Em relação aos terminais, fatores como falta de segurança, desorganização e limpeza se destacam entre as principais reclamações dos usuários que aguardam as linhas nessas estações.
A climatização dos ônibus é um desafio atual para as operadoras e também para a gestão pública. Desde 1º de dezembro de 2021, a Prefeitura solicitou às empresas de ônibus que realizassem o religamento dos aparelhos em toda a frota equipada com o sistema. Sendo um item obrigatório, atualmente quase toda a frota da capital maranhense dispõe de ar-condicionado. Nas ruas, entretanto, a realidade é diferente, sendo possível observar ônibus fabricados entre 2020 e 2026 circulando com o sistema inoperante.
O descumprimento da medida pelas operadoras também expõe fragilidades na fiscalização da SMTT quanto ao cumprimento das medidas previstas no edital da licitação de 2016, que determinava a obrigatoriedade dos aparelhos. Por outro lado, essa questão também evidencia os custos envolvidos na manutenção e operação dos equipamentos, ampliando a discussão sobre o atual modelo remuneratório do sistema.
Por fim, apesar da licitação de 2016, é possível identificar diversos problemas que se estendem desde o início do SIT, como sobreposição de linhas, cobertura insuficiente da frota e dos itinerários, ausência de um plano de otimização operacional, falta de fiscalização, entre outros aspectos. No próximo sábado, a última matéria do especial SIT 30 Anos discutirá o que pode ser melhorado no Sistema Integrado de Transporte de São Luís.
Fonte: Transporte em Foco.
Imagens: João Mannoel - Transporte em Foco.








Um comentário:
Ou seja, pagamos R$5,55 na tarifa. Sendo que no Rio de Janeiro é R$5,00 e a frota é toda nova e com ar condicionado. Aqui em São Luís não temos empresas de ônibus e sim Kiosques de ônibus. Se não consegue operar com 5,55 e ainda com frota reduzida e ônibus sem funcionamento do ar condicionado, melhor fechar esses Kiosques.
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