Nesta segunda-feira (17/11), chegou ao quarto dia a paralisação das atividades realizadas por motoristas e cobradores das empresas Expresso Rei de França e Expresso Grapiúna, que operam juntas 38 linhas de ônibus da Grande Ilha.
O movimento grevista, iniciado nas primeiras horas da última sexta-feira (14/11), tem como principal motivação a ausência e o atraso no pagamento dos salários e de outros benefícios, como o ticket de alimentação dos colaboradores das duas empresas. Além disso, a demissão de mais de 100 funcionários nas últimas semanas também influenciou a paralisação.
As empresas atendem juntas 20 bairros da capital maranhense, com destaque para as regiões do Cohatrac, onde a Expresso Rei de França opera oito linhas, e Parque Vitória, onde a Expresso Grapiúna opera três linhas. Neste domingo (16/11), a Agência de Mobilidade Urbana (MOB) reforçou a frota metropolitana e, junto à Transporte Coletivo Maranhense (TCM), colocou veículos para atendimento nas linhas T097 Parque Jair/João Paulo, A881 Parque Vitória/Terminal Cohab, A883 Alto do Turu/Terminal Cohab e Cohatrac/Terminal Cohab, como forma de minimizar os impactos aos usuários, em especial aos estudantes que participaram do segundo dia do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).
A Prefeitura de São Luís garantiu, por meio do aplicativo de transporte particular 99Pop, corridas com vouchers pagos pela gestão municipal, com valores que seriam repassados à concessionária fora de operação.
Desde as primeiras horas da manhã de hoje, mais duas empresas, Speed Car (Consórcio Upaon-Açu) e Transporte Marina (Metropolitano), amanheceram com a frota 100% fora de circulação também devido a atrasos no pagamento de salários, ticket de alimentação e plano de saúde dos motoristas.
As duas empresas operam linhas que atendem regiões como Mato Grosso, Cidade Operária, Cidade Olímpica, Jardim América e Jardim Tropical. Embora diversos portais tenham noticiado que a paralisação da Speed Car e da Transporte Marina deixou bairros totalmente sem ônibus, é importante relembrar que ambas operam em conjunto com outras empresas que seguem circulando normalmente, havendo redução apenas no quantitativo de veículos das linhas que atendem as localidades mencionadas.
O que dizem o SET, SMTT, MOB e STTREMA?
O Sindicato das Empresas de Transporte de São Luís (SET), em nota concedida ao portal Imirante, informou que a crise no sistema de transporte se agravou devido ao não pagamento de cerca de R$ 7 milhões em subsídios pela Prefeitura, valores que deveriam cobrir salários conforme decisão do TRT desde 2022. Segundo o SET, o Município também descumpre uma determinação da Vara de Interesses Difusos. A entidade alerta que, sem a regularização imediata dos repasses, a paralisação pode se estender para todo o sistema. O sindicato afirma ainda estar aberto ao diálogo para evitar a interrupção total do serviço.
Ainda segundo o Imirante, a frota de ônibus de São Luís está limitada a 80% desde fevereiro por decisão liminar do TRT-16. O SET acusa a Prefeitura de descumprir a liminar ao exigir 100% da frota para repassar subsídios. A entidade afirma também que não houve negociação da Convenção Coletiva de 2025 desde a decisão judicial, que definiu reajustes salariais e no auxílio-alimentação. Representantes do sindicato dos rodoviários confirmam o impasse. Em ofício enviado à Prefeitura em 7 de novembro, o SET classifica o cenário como de insegurança jurídica, social e econômica e acusa o Município de recusar acordos, o que teria impedido a formalização de uma Convenção Coletiva neste ano.
A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes de São Luís (SMTT), responsável pela administração e fiscalização do sistema urbano, destacou em nota ao Imirante que “as questões trabalhistas são de competência do Sindicato das Empresas de Transporte (SET)”. Segundo a pasta, é aguardado que as empresas consorciadas e o Sindicato dos Rodoviários cheguem a um entendimento para garantir a continuidade dos serviços à população.
Em nota, a Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB) esclarece que não tem responsabilidade sobre questões trabalhistas entre as empresas concessionárias e seus funcionários, atuando apenas como órgão gestor, regulador e fiscalizador do transporte semiurbano e não na administração interna das operadoras.
Por fim, o Sindicato dos Rodoviários (STTREMA), em publicação nas redes sociais, relatou não apenas as dificuldades vivenciadas pela classe, mas também reforçou que outras operadoras estão em situação semelhante às empresas Expresso Rei de França, Speed Car, Expresso Grapiúna e Transporte Marina, podendo haver avanço no movimento grevista caso não haja regularização dos pagamentos.
Redução na frota e impactos no dia a dia da população
Nas últimas semanas, um aumento considerável nas reclamações sobre a redução da frota de diversas linhas da capital ganhou força nas redes sociais entre usuários do Sistema Integrado de Transporte de São Luís. Usuários relatam diminuição no número de veículos, atrasos e descumprimentos de horários, afetando diretamente quem depende do transporte coletivo para se deslocar na capital maranhense.
A redução na frota, conforme divulgado pelo Imirante, ocorre desde fevereiro e reflete o cenário crítico do principal meio de deslocamento da população ludovicense. O Sistema Integrado de Transporte de São Luís, que em 2026 completa 30 anos de operação, tem sua história marcada por paralisações, falta de conforto, frota ineficiente e deficitária, entre outros problemas que reforçam a necessidade de mudanças não apenas na gestão do sistema, mas também na garantia de acesso da população a serviços básicos, com deslocamentos rápidos e de custo mais baixo.
Enquanto o impasse permanece, diversos usuários seguem sem transporte coletivo, e o risco de uma nova paralisação total preocupa milhares que dependem das mais de 150 linhas de ônibus que operam na Grande Ilha para se deslocarem diariamente para o trabalho, escolas, universidades, hospitais e demais compromissos.
Fonte: Transporte em Foco.




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